Acto 1 Cena 1
Atravesso Monsanto pela A5 e são agora nove e vinte da manhã. Os carros amontoam-se uns atrás dos outros. Alguns mudando repentinamente de faixa como que pensando que chegam mais depressa por isso...
Hoje chove copiosamente e as ruas estão enlameadas, com as sarjetas cheias de lixo e de folhas de carvalho, secas do Outono que parece ter ficado para trás. As gotas de água batem no vidro e escorrem lentamente, umas puxando outras empurrando-se umas às outras.
Pela janela vejo Monsanto verde com as suas árvores plantadas, e penso que tudo parece artificial. É estranho entrar em Lisboa pelo meio de uma "floresta", por uma auto-estrada que rasga o verde da colina e entra pela cidade justamente pelo meio. Ao longe avisto sombras, alguns ramos parecem mexer-se, mas é apenas o vento que as faz mexer, nada mais.
Todos os dias me parecem iguais. A rotina vai aos poucos minando uma mente criativa, uma mente que quer mais. Sinto-me num coma constante, ou num sonambolismo qualquer do qual quero acordar. Tenho 30 anos e uma vida para viver e estou sozinho.
Hoje chove copiosamente e as ruas estão enlameadas, com as sarjetas cheias de lixo e de folhas de carvalho, secas do Outono que parece ter ficado para trás. As gotas de água batem no vidro e escorrem lentamente, umas puxando outras empurrando-se umas às outras.
Pela janela vejo Monsanto verde com as suas árvores plantadas, e penso que tudo parece artificial. É estranho entrar em Lisboa pelo meio de uma "floresta", por uma auto-estrada que rasga o verde da colina e entra pela cidade justamente pelo meio. Ao longe avisto sombras, alguns ramos parecem mexer-se, mas é apenas o vento que as faz mexer, nada mais.
Todos os dias me parecem iguais. A rotina vai aos poucos minando uma mente criativa, uma mente que quer mais. Sinto-me num coma constante, ou num sonambolismo qualquer do qual quero acordar. Tenho 30 anos e uma vida para viver e estou sozinho.

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